Due diligence de fornecedores no Brasil: o checklist completo
As 14 fontes públicas que compõem um processo real de due diligence de fornecedor no Brasil, organizadas por área.
O que due diligence de fornecedor realmente significa no Brasil
Não existe uma única fonte de dados que responda "esse fornecedor é seguro?". Due diligence real significa cruzar várias fontes públicas independentes, cada uma cobrindo um risco diferente — ambiental, trabalhista, fiscal, de rastreabilidade — e manter isso atualizado, não apenas checado uma vez no cadastro inicial. Este checklist organiza as 14 fontes que compõem esse processo.
Ambiental & terras
Cadastro Ambiental Rural (CAR) — a base declaratória de qualquer propriedade rural. Desmatamento via INPE — PRODES para o histórico consolidado, DETER para alertas recentes. Embargos do IBAMA — sanções administrativas vigentes vinculadas à propriedade ou ao CPF/CNPJ. Sobreposição com terras indígenas e unidades de conservação federais — um sinal que nenhuma das fontes anteriores captura sozinha.
Trabalhista
Lista Suja do trabalho escravo (Ministério do Trabalho) — inclusão administrativa, sem exigir condenação judicial transitada em julgado, e sem aviso prévio a quem compra do fornecedor incluído.
Fiscal & sanções
Situação cadastral do CNPJ na Receita Federal — a checagem mais básica, e ainda assim frequentemente pulada. Sanções federais CEIS e CNEP (Controladoria-Geral da União) — inidoneidade, suspensão de licitar, e sanções da Lei Anticorrupção. Acordos de leniência (CGU) — admissões negociadas de corrupção ou cartel, muitas vezes feitas justamente em troca de não constar do CEIS/CNEP, então checar os dois é checar dois instrumentos diferentes, não o mesmo fato duas vezes. Sanções internacionais OFAC (Tesouro dos EUA) e ONU — correspondência por nome, relevante para qualquer fornecedor com exposição a comprador americano ou europeu.
Rastreabilidade
GTA cruzada com NF-e, para pecuária — o cruzamento que fecha a brecha do "boi de papel". DOF cruzado com NF-e e verificação de nome científico da espécie, para madeira — o dado que a Lacey Act americana exige e que costuma faltar.
Transparência de cadeia (EUDR)
Dados de exportação de soja e carne bovina da Trase.earth, com exposição a desmatamento por safra — não é um registro de violação (ser exportador é normal e legal), mas sim contexto direto para a Declaração de Diligência Devida da UE pelo sistema TRACES, exigida para grandes e médios operadores a partir de 30/12/2026.
Como organizar isso na prática
Para um fornecedor, esse checklist é factível de rodar manualmente numa tarde. Para uma carteira de fornecedores, repetido continuamente — porque cada uma dessas fontes muda sem aviso — deixa de ser um checklist e vira um processo que precisa de automação para se manter confiável. É exatamente esse processo que o FornecedorIntel roda continuamente, por fornecedor, para cada uma das 14 fontes.